Documentário: Axé – Canto Do Povo de um Lugar

Muito antes do hit de MC Loma aparecer, ou de uma música ser considerada “hit do Carnaval” outro gênero musical dominava o ritmo da festa. Com suas raízes vindas do Lundu – de origem africana – e do Samba, o Axé saiu dos arredores da praça Castro Alves, em Salvador, e fez sucesso em todo o Brasil. Todo esse percurso foi contado em “Axé: Canto Do Povo De Um Lugar“.

Dirigido por Chico Kertész, o documentário foi lançado em 2017 e tem relatos de vários cantores, compositores, radialistas, músicos e outras personalidades que fizeram parte da ascensão do gênero no Brasil. As ferramentas diferenciadas usadas pelo axé music também foram de grande responsabilidade para o sucesso e tem sua história contada no documentário.

A chamada guitarra baiana e o trio elétrico participaram da gênese do ritmo que seria uma espécie de hino do carnaval, juntamente com o samba. Sabendo desse diferencial, os Novos Baianos levaram a Tropicália para cima dos caminhões e fizeram uma espécie de transição de gêneros na música brasileira.

Além de provocar alegria e vontade de dançar, o axé também deu contribuições em questões sociais importantes como o acesso das classes mais pobres a festa do Carnaval e a valorização da cultura negra, outrora vista como marginal em Salvador. O Timbalada e o bloco Ilê Aiyê fizeram com que a música provocasse a integração entre as pessoas, não importando a cor e o poder aquisitivo.

Antes considerado pejorativo, o axé chamou atenção de estrelas internacionais, como o diretor Spike Lee e os cantores Paul Simon e Michael Jackson. Ele também criou suas próprias estrelas, como Luís Caldas, Carlinhos Brown e Ivete Sangalo, que dão seu depoimentos no doc. Destaque para a história de Daniela Mercury e sua apresentação no vão do Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 1992. A cantora, que achava ser pouco conhecida, fechou a Avenida Paulista e, ao reunir 20 mil pessoas, teve que interromper o show pois as obras de artes estavam balançando e o MASP estava tremendo com risco de cair.

Ao mesmo tempo que o olhar mercadológico dos empresários que criaram os blocos de trio elétrico como “Bloco Camaleão“, “Bloco Eva” e “Bloco Beijo” elevaram cantores ao status de estrelas nacionais, levantaram problemas ao redor do axé. Alguns deles foram o apagamento da cultura negra no mainstream e o aspecto “egoísta” dos artistas que não pensavam na evolução do gênero e sim, quanto dinheiro podia arrecadar. Esses problemas foram apontados pelos personagens ouvidos como causas da crise que o ritmo sofreria na metade dos anos 2000.

Para finalizar, o documentário mostra que para se reinventar, os artistas do ritmo vêm misturando o axé com eletrônica e, principalmente, voltando as raízes, como é o caso do cantor Saulo e a banda Psirico. “Axé: Canto Do Povo De Um Lugar” é importante para conhecer a história recente da música brasileira e faz você querer conhecer Salvador, mesmo não gostando de Carnaval.

O documentário está disponível de forma gratuita no site GNT Play.

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Wedson Mesquita

Quase jornalista. Um projeto de Rogerinho do Ingá.