“Nasce Uma Estrela”: Sobre música, amor e sonhos

Filmes clássicos nunca irão morrer na cabeça de quem gosta de cinema. Cinematicamente falando, revisitar determinadas obras é o que existe de mais prazeroso. Porém, cineastas querem ter as suas próprias versões de um clássico, isso fica claro com as inúmeras versões de por exemplo, “Cinderela”. Essa é a quarta vez que “Nasce Uma Estrela” ganha uma versão para os cinemas. A primeira versão surgiu em 1937, dirigida por William A. Wellman; A segunda versão em 54, por George CukorFrank Pierson ficou encarregado de dirigir a versão de 76 e agora, após 42 anos, Bradley Cooper decidiu criar sua própria versão do musical, dando início a sua carreira de diretor.

Antes de falarmos se Cooper é tão bom diretor quanto ator, “Nasce Uma Estrela” se trata do experiente músico Jackson Maine (vivido pelo o próprio Cooper), que conhece – e se apaixona por – Ally, um “novo” talento na música, interpretada por Lady Gaga. O sonho de Ally é trabalhar com música de maneira profissional. Já para desistir, Jack entra em sua vida e a convence que ela tem vocação para trabalhar no ramo, principalmente como compositora. Quando Ally vê sua carreira decolando, o seu relacionamento com Jack vai desmoronando por conta dos problemas pessoais que o atormentam.

Se lembrarmos dos primeiros anúncios do longa, nos deparamos com Bradley Cooper cantando ao lado de Lady Gaga e uma interação convincente entre ambos. Durante o filme tudo isso se confirma, porém, precisamos falar que “Nasce Uma Estrela” não é tão perfeito como foi nos apresentado, mas isso não importa. Mesmo com os seus equívocos, o filme de Bradley Cooper é emocionante e inesquecível.

O motivo da emoção vem de um nome, Lady Gaga! Primeiro eu deixo uma pergunta: Essa mulher realmente é desse planeta? Se a personagem de Gaga já foi questionada pelo o seu talento em algum momento, a atriz (sim, podemos chamá-la de atriz porque ela atua de verdade) não deve ser questionada.

No primeiro momento quando Gaga aparece cantando para valer no filme, particularmente confesso que não me agradou. Algumas cenas depois dela mostrar que seu francês está em dia, partimos para uma cena no estacionamento de um mercado, onde a cantora não tem microfone e muito menos plateia, é nessa hora que ela consegue tirar muito mais de um suspiro de todos que a assistem como Ally.

Em outros musicais, algumas faixas atrapalham a narrativa, às canções em “Nasce Uma Estrela” fazem um trabalho narrativo excelente. As letras falam sobre deixar os velhos hábitos para trás. Vale lembrar que quase todas as músicas foram compostas originalmente para o filme. “Shallow” é de longe o mais forte candidato para melhor música nas premiações que estão por vim. Além dessa narrativa, músicas e cenas se encaixam perfeitamente com o trabalho fotográfico implementado por Matthew Libatique.

Muito se ouviu que a produção do filme viajou para grandes festivais para aproveitar o público e criar uma ambientação, isso tudo para deixar o projeto mais realista. De fato, Cooper conseguiu criar esse clímax. Você consegue notar um som bem captado, até perceber as pessoas ao fundo quando nos deparamos com as cenas durantes os shows – mas falta um algo a mais. As cenas são contidas nos protagonistas, esquecendo a plateia.

Paramos para pensar quem é Lady Gaga como artista. A cantora com todos aqueles figurinos, aquela com grandes performances, aquela que entregou o melhor show do intervalo do Super Bowl nos últimos anos. Chega a ser um desperdício ter alguém que entrega tanta grandiosidade e não conceber igualmente esta mesma imersão no filme.

O ponto positivo é como a película se encaminha para se tornar um verdadeiro drama. Sim, além de presenciarmos cantorias e cenas românticas, “Nasce Uma Estrela” é um drama que mostra que quando tudo está perfeito em nossas vidas, as coisas podem mudar para pior. Enquanto na vida de Ally vai dando tudo certo, Jack vive altos e baixos. O fato é que Ally é uma luz para Jack. Ela é quem faz ele se emocionar, amar e voltar a tocar com emoção. Entretanto, quanto mais sucesso ela tem e se distância de Jack, mais o personagem de Cooper regressa para as trevas.

Podemos confirmar que esse é um dos melhores trabalhos de Bradley Cooper como ator. Ele é um faz tudo em seu filme. Ele dirige, atua, canta, toca, produz e ainda roteiriza. O Jack de Cooper é diferente dos Jack’s dos outros filmes, aqui não encontramos uma traição ou inveja profissional. Essa versão de Jack em “Nasce Uma Estrela” é menos sobre sua ambição, sua arrogância e o preço da fama. É uma versão mais gentil e amorosa no qual o alcoolismo destrói.

Nasce uma Estrela”  tem seu público e merece qualquer tipo de aclamação. Por ser o quarto remake desse clássico, encontramos autenticidade ao falar sobre um tema que nunca deixou e nem deve ser esquecido. O quê de fato está nascendo é Bradley Cooper como diretor.


Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.