“Vox Lux”: Um universo pop caótico dirigido por Brady Corbet

Possivelmente o nome do Brady Corbet seja mais familiar para você (como é para mim) na atuação. Como ator, seus filmes mais relevantes são “Melancolia” e “Violência Gratuita“. Com 30 anos e exercendo a função de diretor, ele dirige seu segundo longa-metragem, intitulado de “Vox Lux“, uma proposta na qual podemos definir como ‘interessante’. O projeto teve sua estreia no Festival de Veneza em setembro de 2018.

A história parte do prelúdio em 1999 (ano do massacre de Columbine), onde a adolescente Celeste (Raffey Cassidy) sobrevive a uma tragédia violenta. Junto com sua irmã Eleonor (Stacy Martin), elas compõem e tocam uma música sobre a experiência da sobrevivente, amenizando as dores de uma catástrofe em algo adorável – ao mesmo tempo a canção lança Celeste para o estrelato. 

O começo de “Vox Lux” pode vim a ser doloroso para nós expectadores brasileiros, onde a tragédia do filme é tão semelhante com o que aconteceu em Suzano, no inicio do mês de março de 2019. Impossível não assemelhar um caso com o outro.

Fazendo uma reflexão sobre o que é a vida depois de um acontecimento desse, a montagem do filme introduz os créditos iniciais para subir como os créditos finais conforme qualquer outro filme, dando a entender que é o fim de tudo, porém, é só o começo para a jornada de Celeste.

A projeção nos coloca diante do primeiro ato intitulado por Gênesis, durante seu período de recuperação, como já dito, ela canta com sua irmã no memorial das vitimas, no qual está sendo transmitido pela televisão onde um produtor musical vivido por Jude Low tira proveito da situação para promover Celeste a uma cantora pop.

Fica nítido a linha de tempo que Corbet cria para a carreira da jovem. Vemos a timidez dela ao cantar no estúdio, às dificuldades com a dança, o uso de drogas e álcool, relações amorosas e até presenciar o onze de setembro como qualquer outra pessoa presenciou. 

Já no segundo ato, é 2017, Celeste tem 30 anos e agora é vivida por Natalie Portman, porém, é a única  pessoa que passa a envelhecer no filme. Sua irmã mais velha continua sendo interpretada por Stacey Martin, no qual é mais jovem que Portman, o produtor vivido por Law parece rejuvenescer de um ato para o outro, e para piorar, Raffey Cassidy passa interpretar Albertine, filha da protagonista.

Portman é nada mais além do que ela mesma. Quando ela assume o papel principal, mostra o porquê dela ser uma atriz de alto escalão. Ela consegue alternar o temperamento da sua personagem facilmente e ainda fazer o sotaque de New Brighton, cidade natal de Celeste. É nesse momento que mais um erro fica nítido, o sotaque não está presente no primeiro ato. Nenhum filme de cantora pop, por mais fictícia que ela seja, não seria um filme se não houvesse um performance dela em palco, mas é uma pena que a única apresentação seja no final da projeção, já que Natalie Portman tem presença e se encaixa tão bem com figurinos exóticos.

Uma cantora pop não é nada sem suas canções, e todas presentes no filme são compostas pela cantora Sia, que faz parte da produção do longa. Assim como foi em “The Childhood of a Leader“, primeiro trabalho de Corbet, “Vox Lux” tem a trilha sonora originalmente composta por Scott Walker, que ajuda a mudar o tom do íntimo ao monumental, do tranquilo ao ameaçador.

Em alguns momentos o tom predominante em “Vox Lux” é bem humorado (só para quem assiste), mas equilibrado mesmo tendo um ambiente caótico ao redor da trama, uma abordagem que é mais evidente na narração serena de Willem Dafoe.

A narração feita por Dafoe é um artificio que Corbert usa ao seu favor. Ajuda no momento de introdução do filme, mas por vezes atrapalha ao explicar determinadas situações da trama e descrever sentimentos que Celeste está sentido.

Brady Corbet como cineasta não tem medo de arriscar-se a fazer algo errado para propor algo interessante. Como por exemplo, na única cena de show, já para o final, é uma cena bem longa, parecendo que o diretor quer descontar por não ter outra cena como essa no decorrer do seu projeto.

Com todos os recursos que teve em mão, Corbert teve determinação de não desperdiçá-los. “Vox Lux” até o momento é considerado seu melhor longa-metragem, mas ele está no caminho certo para nos propor um grande projeto no futuro. Enquanto isso, ele está fazendo o seu melhor com suas próprias ideias que serão aperfeiçoadas, mas com a idade que já possui, ele mostra ser um cineasta dinâmico.

Marcus Barreto

Jornalista de bem com a vida, fã de esportes e cinema.

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